Tenho saudades do que já foi, do que já era, do que já vivi. Sei que faz parte mas sei que o sinto e não pretendo escondê-lo.
Sinto saudade do tempo que já não vem, que nunca será igual, que passou com o vento... só ficou o cheio como que de um livro velho.
Parecem agora folhas secas, fechadas pelo tempo.
Sinto saudade dos actos de coragem, da valentia do desconhecido da idade que passou. Dos sorrisos alheios ao mundo, da vontade desmedida daquelas alturas... da coragem de admiti-lo.
Devemos conhecer-nos e aceitar-nos. Querermos um mundo melhor não significa esquecermos o mundo que fizemos parte, afinal mudámos o mundo de alguem, seria muito egoísta da nossa parte, não?!
Sinto pena dos erros que cometi, foram experiências mas são irreversíveis.
Admiro ainda a impulsividade mas perdi-me nessa tentativa de ser fiel ao que sinto. Aprendi.
Mas está na minha natureza.. não posso mudar até ser quem não sou. Haverão novos jardins onde possa correr florida por dentro.
Sinto saudade do toque, da preocupação e de não me ter comprometido com novas e para sempre eternas realidades.
Já não sei para o que estou realmente preparada e sim estou preocuada com isso. Nada a fazer. Já era.
Por isso sinto saudade. Gosto do que vivi, de quase tudo e é inevitável senti-lo.