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Topic: Lamego de costas para o Douro
Até à segunda metade do séc. XVII, as margens e encostas adjacentes ao rio Douro estavam cobertas por uma vegetação diversificada e densa, sendo as localidades da região servidas, na sua maioria, apenas por caminhos estreitos, pedonais, que serpenteavam em função da orografia desta área tida como agreste e inóspita.

Só no fim da época referida, a vinha que existia, dispersa e cultivada de forma diferente da actual, ganha outra forma e dimensão, transformando-se nos vinhedos que hoje conhecemos.

A escassez e a má qualidade das vias terrestres (mesmo as de primeira ordem seriam de terra batida, como era o caso do eixo Vila Real, Lamego, Viseu), associadas à possibilidade de emboscadas, que as irregularidade do traçado e densa vegetação favoreciam, levam a que as trocas comerciais fossem realizadas, quase exclusivamente, através das vias fluviais, reforçando, desta forma, a ligação entre a região e o rio que lhe dá nome.

Não é por acaso que a "Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro" teve a preocupação de definir, em 1792, naquelas que ficaram conhecidas como sendo as “Leis da Companhia”, o Barco Rabelo, a sua tripulação e a sua utilização. Isso aconteceu porque se entendeu que a região e o rio viviam em simbiose e era por ele que passava o nosso futuro.

Hoje, o nosso destino ainda depende do mesmo rio. Podemos tentar contrapor que já possuímos uma rede rodoviária de grande qualidade, mas, quando se fala no desenvolvimento da região, apresenta-se, como referência, o número de pessoas que realizaram viagens de barco no Douro.

Estranhamente, apesar da parceria que envolve o concelho e o rio já durar à mais de três séculos, Lamego parece de costas voltadas para o Douro, devotando ao abandono o cais que a ligaria a esta via de comunicação que tanto lhe deu.

Sabemos que é às águas do Douro que afluem os turistas, mas não nos preocupamos em atraí-los de forma a que lucremos com a sua vinda. Seria complicado negociar por forma a que os barcos, que saem do cais da Régua, fizessem uma escala no cais de Lamego, para que quem quisesse, pudesse, mediante uma contrapartida financeira, apanhar um autocarro turístico que os levasse a visitar as nossas maravilhas?

Será difícil fazer um percurso turístico pelo nosso concelho? Será complicado, depois da visita, levá-los de volta à Régua ou deixá-los no cais de Lamego para que o barco seguinte, ao deixar mais visitantes, leve de volta, ao ponto de origem, os que já terminaram o passeio?

Enquanto os visitantes esperavam pelo barco ou pelo autocarro turístico não podíamos aproveitar para promover a região e vender-lhes uma garrafa de vinho do Porto, uma água ou qualquer outra coisa nos estabelecimentos do nosso cais?

Não será possível alugar pequenas embarcações para que se possa remar no nosso Douro e apreciar a beleza da sua paisagem, que é património mundial?

Sim, teríamos de activar o caís de Lamego, teríamos de criar condições para dotá-lo de um posto de turismo, de um café e até de um restaurante”.. Teríamos de ter autocarros turísticos, com guias, que mostrassem o nosso património.

Quanto teríamos de investir? Quantos empregos geraríamos?

Qual o retorno e quanto lucraria esta cidade e este concelho com estes turistas?

O grande investimento está feito: Temos um cais!...
Nov 23, 2009
5:32 PM

Posted by Rui Taborda

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