O Mar
Era uma vez um povo
Que viajou de Lisboa para a índia
Um grande e nobre povo
Que não se continha nas fronteiras de um pequeno país
Um povo com um sonho, uma aventura, uma história
Que se encontrou no mar
E se perdeu no tempo
Contra ti se ergueu a prudência dos inteligentes e o arrojo [dos patetas A indecisão dos complicados e o primarismo Daqueles que confundem revolução com desforra
De poster em poster a tua imagem paira na sociedade de [consumo Como o Cristo em sangue paira no alheamento ordenado das [igrejas
Porém Em frente do teu rosto Medita o adolescente à noite no seu quarto Quando procura emergir de um mundo que apodrece
Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"
Estão dois peixes num aquário a discutir cada vez mais, cada vez mais, até que um amua e vai para um canto. Passado um pouco, começa a pensar, a pensar, esboça um sorriso (como quem diz "apanhei-te") e vai ter com o seu amigo e diz:
- Ok, se tu dizes que não existe Deus, então quem é que muda a água??