Elas existem e talvez sejam até a maioria das mentiras que dizemos todos os dias. Mentimos sempre, porque se não fosse assim, não sobreviveríamos. Sei que o tema está meio desgastado e que essa é a desculpa dos mentirosos mais caras-de-pau, mas podemos fazer estragos muito maiores falando sempre a verdade.
Mentir compensa e, muitas vezes, falar a verdade é ser desonesto. Para entender essa lógica, é necessário saber que honestidade e verdade são coisas distintas. Ligadas, porém distintas.
Tomemos como exemplo um homem que traiu sua esposa sobe circunstâncias incomuns, como uma briga conjugal seguida de uma bebedeira ou coisa assim. No dia seguinte, ele é a pessoa mais arrependida do mundo e decide contar para ela o que aconteceu. Honesto? Não, ele simplesmente não agüentou a culpa e decidiu jogar sobre ela a responsabilidade de sua punição. Se ele decide não contar, quem precisa lidar com o fato é ele mesmo e, assim, ele não pune sua mulher com a verdade.
Em outros casos como elogios não espontâneos e compromissos que se inventam quando não se quer encontrar alguém (imagine só: "Não vou sair com contigo, não estou com vontade de te ver hoje"), por exemplo, a mentira é absolutamente necessária para não destruir as relações sociais.
Mentimos porque amamos, mentimos porque nos importamos com os sentimentos dos outros, mentimos porque queremos parecer melhores, e, às vezes, mentimos porque somos mentirosos.
A mentira, meus caros, é a base da sociedade.