About Me
Cada passo mau, cada gesto, cada olhar meu é tudo aquilo que faz o que sou. Quando dou um passo em frente tento encontrar o meu equilíbrio e se no caminho tiver obstáculos tento passar por cima. Já fiz alguns quilómetros, já tropecei, já cai, já me levantaram mas também já levantei, acudi quem não sabia andar, já caminhei, caminho e caminharei até que a morte me faça cair de vez. Não quero ser mais que ninguém, só quero deixar a minha sombra na vida de quem um dia se encontrou no meu caminho e me ajudou a ser aquilo que sou hoje. Quando explodirei, os meus pedaços espalhados serão sementes de esperança para muitos seres perdidos, doarei a minha existência a todos aqueles que seguem os meus passos e que desta vida querem escapar. Não sou mais que ninguém e mesmo que eu não seja nada para ninguém, serei pelo menos um mau exemplo, como muitos já foram para mim. Graças a eles evitei a queda muitas vezes. Os meus olhos, um presente que me deram, não sei quem me os deu, nem sei se realmente existe um remetente, só sei que já não poderei viver sem eles. Vejo, falo, choro com eles. São a minha boca para quem me souber perceber. Quem me quiser falar com sinceridade, que o faça com os olhos, quem me quiser conquistar, que o faça com os olhos, quem me quiser beijar que o faça com os olhos, quem me trair: que desvia o olhar porque almas escuras...sei vê-las nos olhos... Se acabas-te baza baibe xD
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"As mulheres aprendem a observar nos outros aquilo a que mais tarde chamam intuição. É uma qualidade quase exclusiva do foro feminino e é por isso que os homens que também a possuem chegam mais longe. A essa capacidade de antecipar a realidade, de ler no olhar uma subtileza, de interpretar a vontade e o medo nas batidas de um coração, os homens chamam-lhe instinto, as mulheres, intuição. É a intuição que diz a uma mulher que está a gerar uma criança mesmo antes de fazer o teste da gravidez, que indica os caminhos do coração quando a dúvida se instala, que lhe diz quando deve lutar por um homem ou desistir dele. É uma espécie de mapa interior, de guia invisível, de alarme adiantado à inevitabilidade da vida. A estes sinais, dados pelo acaso, por um centésimo de segundo de silêncio ou na troca furtiva de um olhar, é preciso interpretar o que sente e a partir daí perceber o que pode acontecer. Nunca acreditei em bruxas nem adivinhos, prefiro lê-los nas histórias do que vê-los ao vivo a deitar cartas ou a atirar búzios ao ar, até porque acredito que o futuro é bom exactamente pelo desconhecido que guarda, mas já acertei demasiadas vezes nas previsões que fiz para poder desconsiderar a minha intuição. O lado mau da involuntária omnisciência é conseguir cada vez menos que a vida me surpreenda, o que faz com que assista, quase de braços cruzados, a mudanças que não quero e nem sempre consigo aceitar. O lado bom é a antecipação de uma nova realidade e o tempo de preparação para enfrentar a tempestade que se avizinha, como fazem os habitantes das cidades por onde passam os furacões, trancando com tábuas a casa e o coração e esperando que passe depressa e provocando os mínimos danos possíveis. Vejo a intuição como um atributo da alma, um dom guardado entre o coração e a cabeça, para lá da inteligência e da razão. Uma espécie de voz acima da realidade, como um balão a gás quente que consegue ver mais longe do que o olhar alcança, um código de barras que se descodifica a ele próprio, um telescópio da anatomia dos sentimentos, porque tem muito mais a ver com o que se sente do que com o que se pensa, com o que se imagina do que com o que se vê, com o que se teme do que com o que se deseja, sentindo como certo aquilo que o entendimento ainda não captou. E é por isso que, quando o alarme começa a tocar, primeiro baixinho em tom de aviso, e depois, cada vez mais alto até me ensurdecer com a evidência que se aproxima, respiro fundo para ganhar forças e lembro-me que o futuro não é mais do que a projecção das sombras do meu passado, um lugar cómodo para arrumar os sonhos, no qual a imprevisibilidade e o mistério reinam e onde, talvez e apenas aí, a intuição descanse da sua sabedoria. Prefiro ter o dom da intuição a esperar placidamente pelo desconhecido, mesmo quando o desconhecido me traz todos os sonhos numa bandeja. "
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adorei voltar a ver te . linda como sempre ... beijinho