"If you have come here to help me, you are wasting your time....But if you have come because your liberation is bound up with mine, then let us work together."
Todos os dias somos estigmatizad@s e criminalizad@s pelos média e responsáveis políticos e perseguid@s pelas suas forças policiais. Sucessivas operações policiais espalham um clima de terror e uma sensação de cerco aos bairros construídos no meio do nada onde nos têm re(en)jaulad@s e não realojad@s . Somos acusad@s de ser a causa do crime, dos salários baixos e da gastos públicos em subsídios quando somos apenas 5% da população do país mas 10% da população activa, produzimos 7% do PIB somos 7% das pessoas inscritas na Segurança Social com descontos em dia. Somos ainda quem recebe os pedidos de almoço num restaurante qualquer, quem limpa os escritórios e centros comerciais depois e antes de por lá passarem, quem assenta os tijolos dos seus condomínios fechados. Como muitos portugueses também somos hustlers. Mas somos mais médicos, advogados, artistas e desportistas que trazem medalhas de ouro para alimentar o ego dos mesmos portugueses que nos querem mandar “para a rua”. Também somos as principais vítimas da brutalidade policial resultando em várias agressões e homicídios, sem que ninguém seja responsabilizado. Também somos passíveis de levar o dobro da pena que um Português pelo mesmo crime. África tem sido explorada desde há 500 anos para cá, privada dos recursos naturais e humanos que enriqueceram a Europa e América, mas diariamente milhares de irm@s morrem às portas da Europa a tentar entrar ou são detidos, torturados e expulsos, deixados no deserto a morrer à fome e à sede. Tornou-se inadiável resistir a esta opressão racista e xenófoba de que temos sido alvo. Tornou-se irresponsável ficar em casa a assistir à nossa execução pública. Tornou-se urgente usar a nossa voz em vez de ficar à espera que alguém fale por nós. Todo o conformismo e submissão a esta situação é uma atitude radical pois implica aceitar um julgamento colectivo de comunidades que mais uma vez servem de bode expiatório a falência deste sistema económico e social.
NENHUM SER HUMANO É ILEGAL
Plataforma Gueto – olhos ouvidos & vozes (nos ki nasi homi ki ta mori homi, khapaz, Laços de rua, Encontros)