
As ondas sao como as mulheres. Vao e voltam, querem-se cada vez melhores e mais perfeitas, despertam-nos sentimentos, trocamos segredos e cumplicidades com elas, provocam odios e amores e deixam-nos rendidos `a sua indiscuti'vel beleza. Por elas somos trai'dos e trai'mos por elas. Razoes? Talvez pelo facto de sermos seres insatisfeitos, escravos de uma busca insacia'vel pela perfeiçao. Com elas, aprendemos a amar e a ser amados, aprendemos a sofrer, somos magoados e magoamos, mas nao vivemos sem a sua presença. Na busca de um entendimento com elas, sai'mos desiludidos, frustrados ou vitoriosos, conforme os dias. Por elas, somos enganados, explorados e ate' humilhados. Por vezes temos medo. Medo de as perder, de nao estar ao seu ni'vel, de falharmos. Por vezes, damos mais do que recebemos. Lutamos por elas como nunca luta'mos por mais nada na nossa vida. Por causa delas ja' chora'mos e ja' nos rimos. A elas, desabafamos e contamos os problemas e dilemas das nossas vidas, partilhamos tristezas e alegrias. E elas, falham encontros, chegam atrasadas e abandonam-nos. Prometem-nos que estarao sempre ao nosso lado, mas desaparecem, e ficam tempos e tempos sem que as consigamos ver, falar com elas ou apenas saber onde se encontram. Simplesmente desaparecem do mapa, ou da praia. E nem nos avisam que se vao ausentar por uns tempos. Injusta esta relaçao de amor-o'dio, que sentimos por elas. Mas o amor? O amor, esse e' eterno. Cada gesto, cada drop, cada beijo, cada tubo, e' um momento u'nico onde olhares se cruzam e impressoes sao trocadas. Os gostos? Os gostos, esses nao se discutem, tal como no amor nao se escolhe a mulher que se ama. Ama-se e pronto.